sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"DESVANEIO" 19.5.1988 Café Jardim da Manga

Olho em volta, perante tanta loucura e o "deixa andar", fico petreficado e sugeito a ter que me adaptar á força. Mas é tanto o abismo entre a minha maneira de estar e ver a vida com as restantes pessoas, que tenho que criar o meu próprio mundo e bloquear a entrada ao geral das pessoas.
Penso que não serei capaz de viver assim, como os restantes mortais, sem sonhos e sem vontades. Tenho que sonhar, criar e sentir tudo, para poder viver. Sentir a vida como éla é, fria e quente. Poder gritar ao mundo que sinto e fazer ver que temos mais que um caminho pela frente.
Tenho 19 anos e olho em redor... vejo seres disformes sem rosto e sentimentos, sem vontade. Grito e ninguem repara, ninguem para... Não vou viver assim.

Eu e o mundo
O mundo e eu
Vou ser eu
Eu no mundo...

Sou louco?!
Mas sou eu,
Serei eu
Um pouco louco?!

Espero, aguardo
Por algo d´ela
Eu vou tê-la
Com ela aguardo...

Tenho minha vida
Tenho minha mente,
Vou criar mais vida
P´ra ter na mente.

Maneira de estar aqui
Mau mas bom
Olhar é bom
Como os outros estão... aqui.

Neste dia estou
Como os outros estão
Comigo só estou
Os outros não?

Sou dito diferente
Mas outros são
Diferentes
Ou talves não.

Quero fugir para ali
Quero fugir parado aqui
Quero e não quero estar aqui.

A vida passa
Só desta maneira
Sem ser á nossa maneira.

Não tenho o que os outros têm
Tenho o que os outros não têm
Dou muito valor ao que não tenho
Mas mais hà quilo que eu tenho.

Dia que passa
Dia que fica
Ele passa
Ele fica.

Ris-te com os olhos
Olhos com que te ris-te
Vi-te com meus olhos
Quando tu me sorris-te.

Atirei pedras nestas ruas,
Todas nuas como pedras.

Eu sou o matador
Mata dando vida
Nesta longa vida
De ser matador.

Estou aqui sentado
Aqui neste lugar
Aonde estou a lutar
Para ficar sentado.

Tudo com ela roda
Tudo com ela gira
Sabendo ela como tira
Sabendo ela como dá.

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