sábado, 17 de outubro de 2009

E ????

A algum tempo que não tenho vindo aki e muito já se passou...
Desde ter sido operado ao cacionoma e plos vistos ter sido erradicado... plo menos assim espero.
A muitas outras situações passadas.

Tenho um sentimento dentro de mim,
de desconfiança por tudo o que me rodeia.
Sinto que tem tanta mentira e falcidade em meu redor,
não passando tudo de um jogo sem regras e sem fronteiras...

Sempre esperei encontrar pessoas verdadeiras e sem mentiras
para me poder relacionar, mas a vida tem me encinado que isso não existe.

todas as pessoas tem segredos e plo sim plo não mentem,
mentem e escondem descaradamente,

são jogadores que jogam com a vida deles e dos outros,
sem se importar com nada a não ser o seu ponto de vista,
e só com o objectivo de se manterem a mentir.

Não acredito no ser humano nem em nada que possam dizer,
já nada me faz acreditar no que possam dizer...

Nunca sube jogar este jogo e já é tarde para o começar a jogar,
por isso só espero conseguir manter-me um bocado mais,...

As pessoas esqueceram-se de se respeitar e sem isso não tem
lugar para mais nada...

Não tem amor, amizade ou seja o que for
só tem tempo para se olhar o umbigo de cada um.

Uzam e abuzam de todos e até de si próprios...

Espero que sejam felizes.
Eu plo menos vou tentando viver cada dia como se fosse o ultimo,
Dando valor a coisas que ninguem liga ou quer saber.
tal como isto que escrevo.

eheheheheheh
Sejam felizes
e mais vale só que mal acompanhado.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

SEM EFEITO

Ontem fui receber o resultado da biopsia, foi pior doke o esperado...
Ainda estou a "ressacar" o mesmo e com a informação que recebi da equipe medica e que depois fui buscar á net não gostei mesmo nada. Mas que posso eu fazer? Nada simplesmente... Continuar a viver cada dia normalmente, pois nada posso fazer...
Tenho um sentimento estranho dentro de mim... Como se estivece a recuperar de umas noitadas...
Tenho vontade de chorar, mas não quero...
Tenho vontade de gritar, mas não posso...
Tenho vontade de fugir, mas para onde?
Penso no meu filho, na minha Rozita,...
Penso nos meus pais e principalmente no meu pai, que nem me pergunta como estou...
Doi e porra como doi isto td...
Mas não, ainda estou aki pra fazer barulho...
Ninguem me ira lembrar como no final estava kieto... muito plo contrario, continuar como sempre a lutar e a viver com força e com vontade... e seja o k for aki estarei como sempre!
Fica tudo "Sem efeito"...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

contradições 28.5.2009 pisc. Rui Abreu 11:30

Fazendo o almoço e pensado no dia que está...
Que bom é estar vivo e sentir-se vivo. Mesmo com todas as dificuldades a vida é bela.
Sentir os raios de sol, a aragem que passa e olhar em redor sentindo tudo a viver.
Esta estupida maneira de estar tão sem sabor, sem logica racional é uma simples maneira de poder sentir que se está vivo e se gosta de viver.
Tantos sentimentos contraditorios se podem sentir nestes breves instantes...
Fazem-nos pular de vida e "voar" pla nossa ezistencia etodos os momentos mais sentidos dela...
È BOM ESTAR VIVO AKI...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pais mas que pais? - piscinas Rui Abreu - Pedrulha 21.5.2009

Pais mas que pais?

Nasci da vontade de sexo entre meu pai e minha mãe... ainda namoravam, e pelo que me foi dito, feito em pé ás escondidas da vegilancia da minha avó.
Não sei se fui programado ou não, mais provalvel é ser não, mas lá nasci. Fruto dessa vontade, desse desejo e desse amor.
Como antes já referi, nasci e cresci... Mas o crescer foi diferene de uma criança num ambiente considerado normal, pois ao fim de algum tempo foram as guerras e os conflitos entre os meus pais. Muita as vezes eu no meio e a prezenciar senas que nem um adulto deveria ver... Foi a destruturação completa da familia e dos sentimentos. Foi para alem disso o desvio racional de uma educação para uma criança. Levei com as maguas, desgostos e frustrações deles por arrrasto...
Ao longo da minha vida tive sentimentos de raiva e odio para com eles... no entanto sempre relevei e sempre entendi o porque de cada lado... esquecendo o meu proprio. Por os amar e por me terem feito homem que sou hoje.
Fui criado entre guerras particulares e eguoismos sem nunca terem medido seus actos e seus sentimentos. Não ponho em causa seu afecto para comigo mas sim a sua maneira de o demonstrarem ou de o fazerem.
Fui criado, a partir dos meus 8 anos, por minha mãe... mal ou bem criou-me e teve-me entre ela... com seus defeitos e suas paranoias... uzando-me por vezes e sendo até sua cruz de vida.
Meu pai saío, pura e simplesmente da minha vida nessa idade, sem perconceitos e sem problemas. Durante o resto da minha vida foi sempre de passagem, e maior parte das vezes negativamente, tal como da vez em que estava com ele e sua companheira da altura em Lamego e me espulça de casa... Não querendo dizer que não tem sentimentos para comigo mas que nunca os demonstrou ou praticou é uma realidade.
Meus pais, cada um á sua maneira, sempre me responsabilizaram ou culpabilizaram, pelas suas vidas. Pago essa factura todos os dias da minha vida. Chego a pedir que me esqueçam e me deixem viver a vida que tenho em paz.
Minha mãe cobra-me sobre seus sentimentos e o que possa fazer por mim... Meu pai usa-me como presevativo. Seus sentimentos são do mais penozo que tenho na vida, nem o cacionoma que me foi diagosticado é tão doloroso... Cada um fechado nas suas vidinhas de merda e seus medos que eu sou simplesmente a imagem da dor e da fustração da vida que tem.
Não conceguem olhar para mim como eu olho para meu filho, com amor, carinho e vontade de lutar por seu bem estar, para alem do meu.
Cada um deles tem sua vida e eu sou simplesmente a merda que fizeram.
Não quero nada deles nem sequer o bem, simplesmente esqueçam que eu estou cá tambem...
Andei a estudar ás custas da minha mãe, a ela o devo, no entanto mais tarde fui responsabilizado por isso e ainda hoje levo com isso na cara.
Meu pai chegou a dizer que 3 contos chegavam para o meu sustento e que se minha mãe quize-se mais que o fosse ganhar.
Mais tarde "fugi" e comecei minha caminhada sozinho... Meu pai pagou-me a carta e minha mãe ajudou-me com o que podia, depois pago a factura, eu fiz isto eu fiz aquilo etc... Cada um faz pagar a factura á sua maneira e da maneira que mais lhe convem. Tem sido assim e continua assim.
Meu pai tem outro filho, fruto da relação com outra pessoa, minha mãe só me tem a mim... mas seu sentimento de afecto por mim é do mais doentio e estranho que se possa imaginar.
Eu tou cansado e farto de os aturar e calar-me perante suas intempestivas acções para comigo. Agora que eu tenho a MINHA familia e os meus próprios problemas, que tenho que superar, não estou para suportar mais as suas maneiras para comigo. Está na altura de dizer o que sempre senti e calei e suportei. Por medo, respeito e pudor, prejudicando-me e as pessoas em meu redor, nunca falei do que eles me fazem sentir ou fizeram, chega tá na hora de dizer basta.
Estou cá sou filho deles e amo-os como tal mas já chega de me cobrarem ou de me rebaixarem... por mim e plo meu filho chega...

Nunca sejam pais assim pois é do pior e do mais destrotivo que possam sentir na vida, por isso e muito mais sou como sou, diferente mas igual, com sentimentos á flor da pel e com amor sentido por todos.

Inté...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Banco de jardim - 8.3.1990 3H05Mn

Na musica vôo pelos meus desejos, na noite vagueio pelo mundo, que está dentro de mim, na escrita registo as dores de cabeça, no chôro rio de mim, no rizo choro por mim.
No mundo aonde estou eu vou até ao fim. Cá longe, ao longe de mim, me vejo, perdidamente encontrado por mim.
Em cada momento eu estou, comonunca deveria estar. Por esses momentos eu vou, para poder encontrar-me...
Raiva eu sinto de mim, por ser assim...
Tão bruto eu me sinto por ter esta raiva de mim...
de andar tão devagar como raio de luz solar.
Sou este banco todo pintado de branco,
banco de jardim aonde descançam seres cançados,
Tal como eu de tanto estar e não estar.
Sou eu aki que te escuto
sou eu aki que te sinto
sentindo o teu e o teu
cansaço da vida já percorrida...
Sou o branco do banco
que te dá descanço e paz
p'ra poderes continuar
a AMAR...

Vários Soltos - Fornos 9.9.1990 escritório 1 hora

... bebo mais um golo de wisky, e deixo a mente continuar a divagar.
Dou mais uma passa no cigarro e escuto a musica a tocar (Oceano pacifico), estou a ficar longe daki, divago no tempo e no espaço, sou anti-materia...

Ah! não me roubo tudo a negra sorte:
ainda tenho esta dor, ainda me resta
o pranto, a queixa, a solidão e a morte.

Assim como o amanhecer
vou acreditar de novo poder ter
assim é o começo de um novo dia
em que começa a luta que cria.

Cansados do medo e da solidão
cá vamos nós andando entre mãos;
perdendo toda aquela eluzão
que em crianças tinhamos nas mãos.

Este tempo inteiro que queriamos dar
desse sonho que é tão criança
andando de par em par
mas o tempo passou e a criança não ficou.

Perdeu-se no passar do tempo
num tempo perdido
mais que sentido
foi vivido no seu tempo.

Algo do escritor Henry Miller

Adoro ler e tenho por vicio ficar com determinadas passagens do que leio, na minha cabeça a bombar, até poder juntar ao meu sangue e ao meu viver. De muitos autores que li gostaria de realçar o Henry Miller, pois tem algo que me faz rever no que escreve e da meneira como o faz.

" A irresistivel criatura do sexo oposto é um monstro no processo de se transformar em flôr. A beleza feminina é uma votação incessante á volta de um defeito ( muitas vezes imaginário), do que resuklta todo o ser girar ascensionalmente, direito ao céu."

HENRY MILLER

Não me digam que não é verdade!...

Sinfonia - Coimbra 18,03,1990 Domingo

É mais um dia, para mim, no paraiso. Ess e paraiso que anda tão longe daqui; anda por ali e aqui... anda aonde vôo e onde estou.
Passo a passo...
Toda a minha vida tenho buscado a vida. Será tarde de mais?! Para toda a minha vida?! É tão dificil encontrar o caminho. Mas tenho este sorrizo nos lábios e em mim, que dá força a mim e a ti, de poder sonhar aqui.
Esta sinfonia melódica que entra e não sai de nós, ficando viva e ardente para sempre. Este infinito desejo de desejar estar aqui, ai e ali tambem. Estar e não estar, falando calados e rindo chorando...
É esta raiva de viver que nos faz sentir vivos; é esta raiva que nos morde e nos faz acordar. Acordando gritando que estamos aqui bem perto e simultaniamente longe...
Sinfonia de sentidos, meus e teus aqui e ali, por todos os lugares aonde passamos e deixamos ficar no ar...

domingo, 3 de maio de 2009

a realidade d'agora

Tenho medo de acabar de repente sem dizer ...
desculpa!
Desculpa a ti companheira dos bons e maus momentos;
Desculpa a ti filho...
Desculpa aos amigos
Desculpa as mulheres que passaram...
Desculpa a ti primeiro amor...
Desculpa a mim...

A vida tem mais sentido, se vir-mos, a dor que provoca-mos...
Só por orgulho ou prazer...
só por nos sentir-mos sós.

Nestes momentos que estou passando
vejo para alem do olhar
e sinto o fiz sentir...

Sempre só e nem sempre orgulhosamente só...
levando tudo em frente sem dó nem piadade...
agora a vós peço DESCULPA!

Sem orgulho nem pudor
só simplesmente desculpa.

A vida é uma mar de dor e prazer...
com as fronteiras nem sempre lineadas...
temos de ser nos a ver até onde podemos ir,
cada um de nos e em cada um de nos.

a dor esta presente desde o dia em que nascemos
uns aprendem a viver com ela outros não,
uns são coitadinhos outros são lutadores
valente é simplesmente aquele que vai para alem disso tudo ...

Só posso dizer ...
Amo-vos a todos ...
Pais, amigos, amores e filho...
mas mesmo parecendo eguista,
amo a vida e tudo o que ela dá...

Amo porque nasci do amor
Amo por que senti amor
e se morrer é por sentir amor
por todos vós...

Amigos e inimigos
para mim sois eguais
pois se com uns sei que posso contar
com os outros ainda mais

Mas de mim podeis esquecer
pois deixei de ter inimigos
Só amigos e outros são simplesmente
Seres como eu mas que não se entendem comigo...

vivei a vida como o ultimo dia
vivei a vida com prazer e paixão
só assim ela tem sentido

breve sabereis pensamentos meus
que nunca pensei em dizer...

INTÉ!

segunda-feira, 23 de março de 2009

estou 23.3.09

a verdade da mentira ou a mentira da verdade 23.3.09

Vivemos na iluzão que é verdade...
No entanto é tudo uma iluzão...
A iluzão da verdade que nos é dita,
Na iluzão de que é verdade.

Eu acredito para não me chatear ou simplesmente para deixar andar...

Tu falas e dizes tantas mentiras como se fossem verdades,
Tu falas e eu simplesmente deixo andar para acreditar,
Tu acreditas na mentira que dizes para eu acreditar,
Tu pensas que acredito nas mentiras ditas como verdades.

Só não me quero chatear...

Faz o que quizeres mas fala sem mentiras
Faz doer mas é a VERDADE
Faz que saiba que não é mentira
Para te te poder ver de VERDADE.

Sempre viveste na mentira, na arte de iludir
como se não visses que eu sabia,
Tou casado de iluzão
pr favor para e vê a razão.

sexta-feira, 6 de março de 2009


OUTRA VIDA




Durmo um sono e lentamente caio num torpor, numa dormência e vou recuando no tempo…
Estou no meu nascimento.
Minha mãe, está cansada, cheia de dores mas com um ar de alívio e satisfação. Está só comigo e seu pai na sala de espera da maternidade Bissaia Barreto. Meu pai encontra-se na tropa, no hospital militar de Lisboa a recuperar de um acidente de viação com uma viatura dos Lanceiros, aonde presta serviço. Saberá que nasci dois dias depois.

Nasci pelas 5 horas da manhã do dia 30 de Abril de 1969, com 5,5º kg de peso por 65 cm de comprimento sou um grande bebé... Grande mesmo.

Recuo ainda mais no tempo… ao tempo em que meu tetravô é Guarda da rainha Dona Amélia e só podia ir a casa de 4 em 4 meses, com o pré para dar a minha tetravó.

Pairando numa névoa começo a deslumbrar os meus bisavós. O meu bisavô João nas trincheiras da Flandres durante a 1ª Grande Guerra e de onde trouxe o mal dos pulmões, devido aos consecutivos gaseamentos que teve de suportar nas trincheiras, durante o conflito. Mas não seria a causa da sua morte e sim um atropelamento na antiga estrada nacional nº1, quando passava um carro de hora a hora.
Sua esposa Maria Justina vejo-me com ela ao lume, por baixo da boca do forno, com uma panela de ferro e o chão de terra batida, pois só a casa designada alta tinha chão de madeira. Conta-me uma história e dá-me uma amálgama de sopa pedindo-me para que vá depois buscar ¼ de litro de azeite á “venda do Ti Fininho”.
A mercearia era um mundo dentro de outro. O medidor de azeite, que me faz recordar o medidor de gasolina para motorizadas, seus frascos enormes com guloseimas, os alçapões aonde estavam os cereais e suas estantes cheias de surpresas infindáveis. Bebo um “pirolito” com satisfação pensando numa maneira de retirar o berlinde do interior de seu gargalo…

Vejo-me cheio de medo junto ao leito da minha bisavó Maria Ferreira, toda branquinha e a ralhar por não estar quieto. Seu quarto é na casa alta por ter rés-do-chão e primeiro andar, que foi construída com o dinheiro que meu avô Cação foi ganhar para o Brasil e dos pinhais que tinha.
Viajo com ele no barco super lotado de emigrantes que vão em busca de melhores vidas, uns fugindo da república e suas constantes conturbações, outros da miséria e como ele em busca de dote suficiente para poder casar. As suas dificuldades num mundo diferente e que não suporta, faz com que regresse mais rápido que o previsto a casa, mas com o dito dote para o casamento.
Estou vendo-o a trabalhar na escola Avelar Brotero, aonde é contínuo, está feliz, pensa nos seus três filhos (meu pai, meu tio Fausto e minha tia) e na sua esposa que sempre foi seu amor.
Tenho um sobressalto, estou num banco de jardim em Lisboa com minha mãe e meu avô Cação. Fomos visitar o meu pai ao hospital. Será a nossa primeira vez cara a cara e tenho medo… Interrogo-me se gostará de mim, se serei aquilo que sonhou, ou se estou dentro das suas expectativas…
De repente estamos na nossa primeira casa que é a casa dos meus avós. Estou com minha mãe e chega o meu pai do trabalho da oficina “Auto Vitória”, aonde é escriturário. Começa a discussão entre eles os dois devido a isto e aquilo…
Estou no meu quarto… tenho 6 anos e vou pensando como será a tal coisa da escola primária de que tanto falam os meus pais. Mas penso mais nas férias que vamos ter na auto-caravana que meu pai comprou e nos “Legos” novos que me trouxe hoje. Os meus amigos batem á porta de nossa casa nos Sargento-Mor vêem todos ver os “Legos”… Estou tão feliz tudo está no seu lugar, como deve estar.

Vejo uma névoa negra envolver-me e desperto dentro do “Ami8” todo destruído… Entra-me nas narinas o cheiro a terra e os gritos de minha mãe nos meus ouvidos… É fim de tarde e acabaram aqui as férias tão desejadas. Escuto meu pai a dizer que tinha partido a direcção do carro, enquanto comemos uma refeição num restaurante e não tiro os olhos daquela broa do tamanho de uma roda… Nunca tinha visto uma tão grande.

Estou a brincar na areia com meu avô José dos Santos, estamos na praia dos palheiros da Tocha. Minha mãe e minha avó estão a preparar o bacalhau e batatas junto ao poço da casa do guarda. Meu pai ainda está retirando algumas das batatas que estavam enterradas e foram assadas na areia. Estou entusiasmado com o passeio de fim-de-semana e tem sido fantástico. Adoro o cheiro a maresia, o azul do mar que me faz imaginar mil aventuras e sentir uma paz e plenitude.

Meu coração parece querer saltar do peito e não sei porquê… ando a correr com uma bandeira na mão pelo meio das pessoas que estão no estádio Universitário de Coimbra, para festejar o 1º de Maio de 1974. Sento-me junto ao grupo que está com o meu pai e escuto aquela conversa que mal entendo:
“ – A revolução agora já não pára… sim temos que continuar para acabar com o fascismo de uma vez por todas… “
Estou numa adega com camaradas – seja isso o que for, mas parece ser porreiro, pois todos se chamam assim – cantamos e comemos e fala-se da luta. Eu brinco com as violas e guitarras. Chega ao pé de mim o camarada Lousã Henriques e fala-me do futuro que sou eu, sem eu entender muito bem aquilo de que fala mas que me faz sentir importante. O camarada Zéca pega em mim e começa a cantar fazendo que eu cante o refrão com ele.
Tenho luzes de trovões na minha cabeça, passam flashes de gritos, provocações e agressões. Estou no meio, choro e tento entender… sinto-me só e perdido. Meu pai só passa por casa de vez em quando para me ver, minha mãe chora e diz que só me tem a mim. Sem entender muito bem começo a passar mais tempo com o meu avô José dos Santos, compra-me uma bicicleta e damos longos passeios nos quais as pessoas perguntam quem sou e ele diz que sou o seu irmão. Vamos pescar, caçar, plantar o milho, apanhar as uvas para fazer o vinho e mil aventuras temos juntos. Estou empolgado e cheio de vida.

De repente olho em redor e estou acompanhado pelo pessoal, todos juntos na frente da escola Rainha Santa Isabel da Pedrulha. Falamos aonde vamos hoje, se ao cinema, se fazer uma patuscada no “Cem Metros”, ou ainda ao Choupal e cada um consulta o seu “Gazetómetro”. Entretanto passa por nós o Prof. Severo de Melo e nunca parando pergunta-me com ar sarcástico: “ - Hoje encontramo-nos na aula? Vais gostar, é sobre a revolução, não é a tua mas a industrial. Hum! Que dizes?” Seguindo o seu percurso em direcção ao Concelho Directivo, de qual faz parte.
Estou olhando o vazio, olhando o nada, não tem cor nem cheiro. Não, espera, tem cheiro… Ah sim, aquele cheiro característico de parque de campismo e olhando melhor em meu redor começo a deslumbrar pessoas. Falamos francês, inglês, alemão e até espanhol, sentados no bar do parque de campismo de Coimbra aonde trabalho. Desde que meu avô José dos Santos morreu não me sentia tão vivo e com vontade de viver, alegre. Faço meu trabalho mas sempre esperando pelo fim da hora de trabalho para ir a correr ter com os meus amigos turistas. Minto, sei bem que mesmo quando estou a trabalhar e principalmente nas noites, estou com eles. Juntamo-nos todos junto á entrada, aonde tenho que estar, e passamos a noite a falar de tudo e de nada. Que sentimento belo e fantástico, não nos conhecemos mas sempre nos conhecemos…

Estou em guerra… não, afinal sou eu a brincar com o Zé Baterias, o Rato e o Raul Barbeiro. Estamos nas férias grandes da escola, aproveitamos os dias para fugir de casa e ter mil aventuras. As idas de bicicleta ao “frigorífico” no Choupal, os pepinos e tomates roubados e comidos no campo do Bolão, as patuscadas feitas com os rôbacos e enguias que apanhamos ao posseiro na ribeira dos Fornos… ah sentimento bom.
Alto não é assim tão bom, o sentimento está a alterar-se. Estou em guerra. Sim é isso, andam a trás de mim, com helicópteros, tenho de me esconder… Tenho de ultrapassar mais esta prova se quero ter o curso de Operações Especiais. Estou em Lamego e vivo a vida a mil á hora. Sou moldado á sua realidade, perfeita lavagem ao cérebro e ao corpo… Estou preparado para matar ou morrer… Somos família e nada mais importa. Acorda… Acorda disso… Já não sei o que é real ou fantasia. Se não serei eu mesmo criado pela fantasia.
Tenho a farda vestida, mas é diferente, sou segurança nos HUC e estou de serviço á porta das Urgências. Ela está a passar e como é apanágio meu digo-lhe de forma sussurrada: - “ Casa comigo, tem filhos meus, faz amor comigo, …”
Olha para mim com desdém e diz simplesmente: - “Parvo!”

Parvalheira, nunca mais passa o tempo… estou a acompanhar a campanha eleitoral com o Videowall da “Publimondego”. Penso quando será o próximo concerto do Luís Represas para o ir fazer ou as “Cantigas da Rua” da Teresa Guilherme.

De repente sinto-me numa sala de cinema aonde passa em “Záping” o meu casamento, o nascimento do meu filho e a morte da minha avó Preciosa… Tudo muito depressa.

Acordo sobressaltado e a transpirar… Gaita passei pelas “brasas”. Estou na piscina de Celas e são 17 horas, depois de já ter trabalhado de manhã na da Pedrulha. São horas de ir embora…











Coimbra, 11 de Dezembro de 2007
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"NÃO VEJO" 1989

Quem sou eu afinal, queolho e não vejo, vejo e não olho?
Que nasci e espero, espero por nascer.
Que vive a vida e a morte.
Não sei !...

Gostaria de fugir de mim.
Tudo tento compreender, pois tanto há para ver.
Tanto tenho a dizer e ficando sempre por dizer.
Mais tarde quase sufoco "in loco".

Não sabendo bem porquê, sinto-me cansado de estar parado.
Parado a correr, indo em frente, de frente para aquilo que tiver que vir.

Choro mas não grito, sonho mas não idealizo.
Sopra o vento dentro de mim, aqui junto de mim.
Chove no meu coração e rio-me de mim.
Sou o cego que vê mas não crê.
Tempo perdido que sou como de loucuras ficou.
Sou levado de mão em mão, por entre mãos.
Daqui para ali sem razão.
Escondendo-me nas personagens que reprezento para não ficar em pranto.
De louco e são, bôbo e arlequim, e de mim.
Amor encontrado, ficando perdido.
Amigo e inimigo, no jogo perdido.
Mais eu vivo, mais eu gosto.
Se vê como somos e como é a realidade.
Realidade e sonho, é a nossa vida.
A vida entre sonho e realidade, impossivel discernir.
Ela chama-se paraiso, chama-se assim por seu querer.
Destruida e mudada pelo nosso descrer.
Pensando assim fico de fora, fora de mim e de ti, já aqui.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"O QUE É" 1989 No "Forte"

Neste espirito confuso
Mil tormentos me obriga
Mas agora que diga
Porque razão lhe dou uso?!

Como escrever eu queria
Impossivel me é agora
Mas como o faria
Se anda-se agora.

"DESVANEIO" 19.5.1988 Café Jardim da Manga

Olho em volta, perante tanta loucura e o "deixa andar", fico petreficado e sugeito a ter que me adaptar á força. Mas é tanto o abismo entre a minha maneira de estar e ver a vida com as restantes pessoas, que tenho que criar o meu próprio mundo e bloquear a entrada ao geral das pessoas.
Penso que não serei capaz de viver assim, como os restantes mortais, sem sonhos e sem vontades. Tenho que sonhar, criar e sentir tudo, para poder viver. Sentir a vida como éla é, fria e quente. Poder gritar ao mundo que sinto e fazer ver que temos mais que um caminho pela frente.
Tenho 19 anos e olho em redor... vejo seres disformes sem rosto e sentimentos, sem vontade. Grito e ninguem repara, ninguem para... Não vou viver assim.

Eu e o mundo
O mundo e eu
Vou ser eu
Eu no mundo...

Sou louco?!
Mas sou eu,
Serei eu
Um pouco louco?!

Espero, aguardo
Por algo d´ela
Eu vou tê-la
Com ela aguardo...

Tenho minha vida
Tenho minha mente,
Vou criar mais vida
P´ra ter na mente.

Maneira de estar aqui
Mau mas bom
Olhar é bom
Como os outros estão... aqui.

Neste dia estou
Como os outros estão
Comigo só estou
Os outros não?

Sou dito diferente
Mas outros são
Diferentes
Ou talves não.

Quero fugir para ali
Quero fugir parado aqui
Quero e não quero estar aqui.

A vida passa
Só desta maneira
Sem ser á nossa maneira.

Não tenho o que os outros têm
Tenho o que os outros não têm
Dou muito valor ao que não tenho
Mas mais hà quilo que eu tenho.

Dia que passa
Dia que fica
Ele passa
Ele fica.

Ris-te com os olhos
Olhos com que te ris-te
Vi-te com meus olhos
Quando tu me sorris-te.

Atirei pedras nestas ruas,
Todas nuas como pedras.

Eu sou o matador
Mata dando vida
Nesta longa vida
De ser matador.

Estou aqui sentado
Aqui neste lugar
Aonde estou a lutar
Para ficar sentado.

Tudo com ela roda
Tudo com ela gira
Sabendo ela como tira
Sabendo ela como dá.

"PRENDA" 22.3.1989 P.C.M.C. 17h24mn

Uma prenda te dou
Esperando um dia dar-te
Dando-te tudo aquilo que sou.

Neste dia um pouco matei
Esta angustia e saudade
Nesse belo momento acreditei
O mundo sentir minha felicidade.

Sem ter ver louco fico
A vida perde sua beleza
Quando juntos me estico
P´ra agarrar tua delicadeza.

Cada minuto que passe
Te quero muito mais
Espero que o dia passe
P´ra te ter muito mais.

Nesse dia de sim para toda a vida
Me terás a mim p´ra toda a vida.

"PASSAR" 17.3.1989 14h45mn Café Stª Cruz

Querem saber quem eu sou
Como eu tambem queria;
Sou neto do meu avô
E sobrinho da minha tia.

Sou o filho
Que nascia,
Sou o filho
Que crescia.

Sou aquele que via
Aquele que observou
Como tudo ia
Como tudo se passou.

Agora aqui estou
Não sabendo como seria
Sempre em frente vou
Mas penso como seria.

Agora a inspiração se foi
Para mais tarde voltar
Assim poder explicar
como o dia, se foi.

Um livro gostaria de escrever
E quem sabe publicar,
Assim poder acreditar
Que foi util aqui passar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"ALEGRIA E TRISTEZA" 17.3.1989 P.C.M.C. 24h/8h Após dia na Fig. da Foz

Meu Deus
Obrigado p´lo dia
E como ia
Meu Deus.

Muito me fazes passar
Para depois me dar
Aonde mais quero estar
Para poder continuar a sonhar.

Devido ao que sinto
Só me saem ais
Cada vez mais
Pois amor eu sinto.

Poemas de amor
Tantos eu tenho
Devido ao empenho
Do teu amor.

De tanto procura
P´ra esta união
Poder continuar
Louco estou a ficar.

Em milagres não acreditava
Mas nunca pensava
Ter-te eu acreditava.

Já mais me tirarão
Meu amor outra vez
O amor tem razão
Comigo ficas de vez?

Dantes eu pescava
Agora pescado
Fiquei eu...

Triste eu estou
De férias vais
Contigo não vou
E sem mim vais.

"E.T." 16.3.1989 P.C.M.C. 24h08mn

Bela e singela
Como hôje foste bela
Alma inspiradora
Minha alma criadora...

Hoje vi como és feita de amor
Olhar para ti e perguntar:
"-juntos aqui será melhor?..."

E o amor queima,
como gelo ardente...

É tão dificil
Viver sem ti
Tentei o truque
Só eu perdi.

Querer tocar-te
E não tentar
Querer um beijo
Ficando a pensar.


És como borboleta
Voando á minha volta...

Feliz te quero fazer
Para um dia
Tambem poder ser.

Esperarei por ti
Que passe minha vida
Esperando por ti...
Esperando por ti
Será minha vida.

Do primeiro momento
Adoro-te;
Do primeiro momento
Choro-te.

Maria de amor nasceste
E de amor cresceste
O amor teras
Com amor governaras.

"RAIVA" 14.3.1989 P.C.M.C. 24h/8h

Cada vez mais me vou conhecendo,
Cada vez mais o mundo e a vida me desiludem...

Fui criado
Numa encruzilhada
Na encruzilhada eu nasci
Eu nasci e cresci, crescendo a raiva
Raiva de mim para mim e de toda a vida.

Procurei e fui procurado
Pelo que era
Pelo que dava
Mas chegando o dia
Necessitar de receber e não dar
Fui abandonado e regeitado.

Sou feito de dor
Sou filho perdido
Sou filho da dor
Sou a criação nascido.

De sangue e paixão
Amor e iluzão
Ódio e compaixão
Se produzio este coração.

A jovem que amo
Amo-a sem limites
Sem limites eu faria
Tarefa na qual no fim a teria.

Mas o futuro me diz
Que de nada válho para a ter
Já mais tive alguem
A não ser minha mãe.

Tenho este bicho em mim
De querer ter e ganhar
Depois o mais dificil
Ter que deixar.

Faço teatro, visto mal
Mal escrevo, doido eu sou
Nisto eu estou mal
Mas ssim eu sou.

Muitas mulheres deixei
Sem querer tentar
O que os outros tentam
Sim eu tambem quis
Mas não deixei
O corpo tentar
Onde só meus sonhos entram
Claro que tambem fiz
Mas não o sonho que sempre quis.

Eu quis
Fosse com amor
O amor nunca quis
Que fosse eu o amor.

Amor impossivel
Com futuro
Sem ser terrivel
Amor com furor.

Continua esta sede
Sede de viver e de ter
Tudo o que já tive
Querendo voltar a ter.

Mas...
Continuarei a minha caminhada
Pela estrada não empedrada
Que está muito curvada
Nesta roda aonde está pregada
Ficando pouco a pouco estragada
Estragando esta entrada
Pela vida que me foi dada
No final então retirada
Mas eu continuarei
Da unica maneira que sei
Assim perdido
entre mim...

Assim como o amanhecer
Vou acreditar de novo poder ter
Assim é o começo do novo dia
Em que começa a luta que cria.

Lentamente se levanto o sol
Lentamente a escuridão se perde
Para mais logo voltar de novo
A escuridão aonde se perde.

Tenho estado á tua espera
Á espera só de ti
Como seca terra
Que espera chuva de ti.

Tu dás-me o som
Tu dás-me horizonte
Tu és o sonho
Que vem longe.

Rapariga tenho estado a olhar-te
Tentando descobrir como te amar
Vem para descobrir-mos
Esse momento
Poder sentir o calor
Esse que é o único
O criador cheio de amor
Ficando os dois num só
E só bom sabe ser.

Esquecendo a vida
Aparecendo o sonho
Tornado realidade
Como necessidade
Do próprio sonho
P´ra continuar a vida.

"DIZER" 5.3.1989 Jardim da Manga 19h35mn

Como gostaria de te dizer
Como eu gostaria de estar,
Para só contigo caminhar
Sonhando contigo e te dizer...

Agora p´ra casa vou
P´ra casa eu vou agora;
Agora sem ti eu vou
Sem ti eu vou agora.

"SOL" 16.2.1989 Pink Bar - River Side

"Escrevo-te
p´ra saberes que é
muito agradável
conhecer alguem como tu..."

Os dias que correm
São aqueles dias
Correndo p´la imaginação
Dias de emancipação...

Quero aquilo que corre
Querendo e correndo por ela
Como se espera e descorre
P´lo mais importante sem éla.

Sei que és impossivel
Como tudo o demais
Sei que és inesquecivel
Te uerendo mais.

Chegou o dia da luz
Saido da escuridão
Chegou com sua luz
Mas sem prontidão.

Neste calor
Deste momento
Deste um clamor
Neste arruamento.

Será que sim
Será que não
Neste clarim
De insatisfação.

"ALGO DEIXAS-TE" 22.2.1989 P.C.M.C. 18h30mn

A tarde dos teus lábios ruburiza-me
Afasta-se a escuridão da terra...

Virando-me do aveço com teu riso
A paixão lentamente sai da bruma...

Atravessa-me o teu olhar
Como fogo em madeira...

A tua paixão chegou com o vento
Tua sombra com a penunbra...

Algo deixas-te ao passar:
Um coração ferido a gritar.

"VAZIO" 9.10.1987 I.A.E. Jaime Cortesão - escola

Pensamento vazio
Vazio de nada
Nada que vem
Nadando no vazio
No vazio do pensamento.

Se um dia pensares
Pensando sem dia
Virá o que esperas
Esperando a vida.

"SÓ" 22.10.1987 P.C.M.C. 24h45mn

Nasci só
Só estou;
Neste mundo
De alas sós...

Tantas almas
Á minha volta
Almas sós
Tal como eu
Que estou só...

Só significa sozinho;
Nesta vastidão de espaço
Espaço cósmico tão vasto,
Que passa a ser comico
Não encontrar mais sós.

"DIA" 30.9.1987

Mais um dia
Dia igual a tantos dias
Esse dia que não é dia
Pois já passou esse dia.

Dia que é sempre dia
E não chega esse dia
Diferente do outro dia
Que passa a ser igual ao dia.

Imaginação que não pára
Cresce dia a dia;
Dia a dia me acompanha
Pelos dias da imaginação.

Essa imaginação de paz...
"Acabou a fome,
Acabou a guerra,
Acabou o egoismo."

Essa imaginação que me faz criança,
Que se faz éla própria em criança.

"PARA AQUI" 25.2.1988

Eu que estou para aqui
Sentado e ferido
Sem nunhum sentido
Como tudo que está aqui.

Espero por ti
Mesmo ao pé de ti;
Tu não vens
Nem se quere tens
O isolamento tranquilo
De quereres conquista-lo;
Coração em canção
Mistério com critério
Dilemas em problemas,
História com biografia.

"CORRENDO" 26.9.1988 1h

Sonhos, vida...
Sonhos da vida,
Esta vida que nos corroi
Esta dor que nos doi...

"-Merda acorda!"
Já fiz de tudo um pouco
De tudo um pouco já comi
Já morri e já nasci...

Correndo, correndo...
Percorri caminhos
Caminhando p´la solidão,
Por entre mãos.

Disto tudo que comi...
Da vida e de mim
Dou a mim a vida;
Que morte de mim?

Só sempre só...
Até ao tópe,
Tópe da vida,
Dessa vida sem rock.

Monstros, só monstros...
Monstros do infortúnio,
Desta vida de infortunios
Que acaba infortunio.

Amores, amores destruidos
Esses amores instruidos;
Desta vida morri de amores
E nasci de amores.

Quero-te a ti vida...
Quero-te porque os amo,
Porque vos amo;
Amo-vos porque estão na vida.
Compreensão e desiluzão...
Compreensão de mim para mim,
Cumpre e não cumpre a mim
Desiluzão com a concluzão.

Como me sinto
Não sei
Como vos sinto
Eu sei.

Sinto no ar que corre
Correndo contra o tempo
Todo esse tempo
Que não corre.

Tanto tempo
Que é tão pouco
Estão tão pouco
Desse tempo.

Sendo nada
Nada é,
Sendo é
Esse nada.

"SABADO" 1988

Sábado á tarde...
Quando a ternura desaparece;
Á frente de quem rastejá-mos como um cão.
Esquecem-se as paixões, com o tempo, tudo desaparece e sentimo-nos gelados;
Esmagados na verdade e com o tempo deixa-se de amar.
Quando o coração pára não vale a pena correr, tudo desaparece;
Com o tempo tudo se desvanece.

Existem terras queimadas
O vermelho e o negro se unem;
Vou esconder-me aqui
A ouvir-te cantar e rir
Á sombra da tua mão
Com toda a minha paixão.

Chama em jovem coração nascido;
Pranto por belos olhos aprisionado,
Incêndio em mares de água disfarçado,
Rio de gelo em fogo convertido.

Se és fogo como nãoqueimas?
Se és neve como não arrepias?
Mas, ouve o dia em que andou amor em ti;
Pois para temperar a dor
Como sendo neve em fogo,
Permitiu que aparece-se a chama fria.

"PAZ" 9.6.1988 S. Cruz - café

Paz criadora
Paz provocadora,
Éssa paz
Que é paz.

Tanta calma
Tanta criança
Dessa calma
De ser criança.

Tudo anda
Tudo corre,
Paz que anda
Que descorre.

Quero parar
Para te apanhar,
Fazendo andar
Para criar.

"PERDIDO" 8.5.1988 P.C.M.C. 24h45mn

Tu és pura e imaculada
Cheia de graça e beleza;
Tu és a minha amada,
És a gentil burguesa.

Tu sem maldade
Que tudo mereces,
Porque desconheces
O podre da cidade,
Nessa herdade
Onde foste criada,
A viver desviada
Deste mundo;
És como valor incalculado
Que me foste emprestado.

Se te tenho na mão
Acho pouco,
Sinto desejo louco
Meter-te no coração!...

Tens a grandeza
Dessa beleza:
Parecer bela
Mais do que ela.

Mas foste-me emprestada,
Já te dei de volta
Mais do que paga
P´ra grande mágua de mim.

A rir me cortaram,
Por gozo e vaidade;
Foi a rir que me atiraram
P´ra lama da sociedade.

Com futuro perdido
Há tantos assim...
Caio eu e os outros
Caimos e continuamos a caindo,
Com amizades fingindo
Ser amigos de verdade,
Compraste-me uma amizade
P´lo bem estar de um dia ou dois,
P´ra me atirar depois
P´ra lama da sociedade.

"SOU" 22.2.1988 P.C.M.C.

Não brinco, não paro;
Não rio, não choro;
Coração hóro;
Paixão, dentro...

Brincando bastante
Infinitamente salto,
Quero colher-te
E generosamente salto.

Inrompendo da gravidade,
Impossivel fugir de mim
Brinco co ferocidade,
Ferocidade de mim.

Avisto as esperaças
Distintamente acabadas,
Nestas circunstancias
Vejoas tão turbadas.

Quero fugir parado
Para lugar algum,
Quero coração furado
Sem furo nenhum.

Pareço que pareço;
Faço que faço,
Coisas não, coisas não.

Sou que sou,
Digo que digo
Aquilo não, aquilo não.

Bom não sou
Belo tambem não,
Sou aquilo que sou
Para alguns sim e outros não.

"AMOR" 1987

Temos algo em comum;
Mas quero-te
Para ficarmos com tudo em comum;
A vida.

Já nos conhecemos,
Mas na verdade,
Somos estranhos
Quando juntos estamos.

"O maior erro da humanidade
é fazer do amor uma edeia;
O amor e instinto,
dar-lhe cérebro é entristecêlo."

És silêncio de luz,
que me rasga estes momentos,
Momentos no crepúsculo da noite.

És a água,
Que me mata de sede
Sob o sol destes dias de Verão.

A minha alma
Vagueia, algures
Entre erosão do tempo
E o fogo dos teus lábios.

Isto não é para mim
Nem para ti;
É para todos que acreditam no amor,
Aqui...

Para que palavras
Se basta uma delas
Para tudo ser dito...
AMOR.

"ESPECIAL" 7.10.1987

É assim cá estou
mãos vazias, olhar vazio.

Eu não sou especial,
Sou igual a tantos...

Que o filme, não se projecta nas salas do cinema;
Sem foros em jornais,
Em revistas ou em magazines de moda.

Vagueio perdido,
Na noite, como ave nocturna;
Vagabundo embriagado;
Anjo no Olimpo;
Estrela perdida no Cosmo
Que luta e destroi tudo
Para poder brilhar.

Tropeço, em todas as pedras;
Prostituta cansada, mas que vive
Sonhando acordada,
Na ilha tropical.

Tropeço em todas as pedras;
Bebado que dorme, mas que vive
Vendo dormindo,
Frescos riachos de vinho tinto.

Tropeço...
"Chui" que vive
Brincando na noite
De "chui" americano.

Esta realidade ou filme,
Filme a preto e branco,
Mais preto que branco;
Eu não sou especial.

O meu nome,
escreve-se nas ruas sujas,
onde nos perdemos
na noite mais escura...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"CRIANÇA" 27.9.1987 4h30mn P.C.M.C. - R. Actividade

Criança que ri
Criança que chora;
Ela ri, ela chora
Pelo mundo lá fora.

Criança com casa
Criança sem casa
Ela vive ela morre
Pelo mundo que escorre.

Criança que come
Criança com fome
Ela cresce ela morre
Pelo mundo que decorre.

Criança, crianças
Deste mundo criança
Que mata e destroi
Toudas as crianças.

"FLY" 28.5.1991

I want to fly
in the blue sky
like a free bird.
Please, beautiful butterfly
show me the way to fly.
Fly in the blue sky
like a free bird
in the blue sky.

"DOÇURA" 1986

Infinita doçura, inigualável carícia.
Contacto delícioso, infindável
Pressão da mão amada quando encontra a nossa mão,
Como achando um ninho.

Teus lábiospalpitantes de amor
Teus lábios que humedece o orvalho do desejo,
Doces lábios onde brota o beijo,
Prestes a deixar-se colher cmo uma flor.

"TUA TERNURA" 1986

Não me culpes a mim de amar-te,
Mas a ti mesma e á tua ternura,
Pois se te aborrece, a mim me tertua,
Ver-me cativo assim do teu encanto.

"DIVAGAÇÃO DE MIM" 1986

Brancura macia de plumas, rumor leve
De asas que roçam devagar,
Passais como flocos e neve
Que sussurram no vento e se desfazem no ar.

De tudo isto, que resta? Um quase nada: apenas,
E o eco de um rumor cantando em meu ouvido.

Sonhos perfumados
Do aroma dos teus lábios
Dos botões de rosa desabrochados
Em goivas, desfeitos na lama pela naifa.

Sonhos do ouvido, escutando
O ingénuo amor que se revela enfim
Involuntáriamente, quando,
Em frazes que negam a voz, diz, que sim;

Sabro do primeiro beijo
Que mal pousa, medrouso, leve, leve,
Num rosto virgem onde sonho;
Sereia cheia de brancura de neve;

Sonhos de amor, sois como a rosa
Que, ainda nem bem colhida;
Perde a frescura que a tornou formosa.

"DORES" 1982

Última flor obscura do coração
És a um tempo, inculta e bela.
Ouro nativo, que na ganga impura
Brota a dor da separação...

Amo-te assim desconhecida
Cabelos de alto calor, música singela
Tens o dom e a delicadeza da porcelana
E a dor da saudade e da ternura!

Sinto o teu riso agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e dolorosa.

Da tua boca saio: "Amo-te"
Da tua mente: " Não posso"
O génio sem ventura e o amor sem brilho!

"AMO-TE" 1982

Amo-te
Tu-não-sei-quem
Com mãos de cardos
Que descem aos caminhos
Para afagar as crianças
De cabelos com asas de vento
A correr por entre as árvores.

Amo-te
A ti que te inventei
Com seios de espinhos
Para sentir bem na pele
A nudes rude da morte natural
Quando me levares pelas nuvens
Através daquela ponte sem margens

Amo-te
Com estes olhos firmes direitos ás cinzas das pedras.

Há! Ir contigo outra vez pelos bosques azuis
A pendurar luas mortas na árvores
- e inventar flores,
estendidas a teu lado n clareira.

E depois, de novo no princípiodo mundo,
Acender no teu corpo
A primeira fogueira.

"BICHO DE TI" 1982

Deitada ao comprido na relva
Vi-te de repente com os cabelos verdes
E os braços erguidos
A abrirem-se com flores nos dedos...

... Flores carnívoras
Que estragulavam vento
Por capricho...

(e então senti na terra e em ti
respirar o mesmo bicho)

"SONHO" 1982

E ficamos para sempre nos olhos do infinito
Naquela noite em que os corações das flores
Bateram no chão das nossas sombras.

Mas eras tu de facto que ias a meu lado?

Ou o meu sonho de ti
Num corpo desmanchado?

Quando estás junto de mim
Cerro os olhos
Para te imaginar
Na extenção dum lago límpido
Onde as cores das flores
Enfeitam a cólera crispada
De existires sem corpo...

Depois...

Ah! Estou tão farto de suor mental!
E tu cheiras tão bem
A pele natural.

"A BELEZA È OUTRA DOR" 1982

A beleza é oura dor.

É este desespêro fundo
De explicar o mundo
A uma criança.

Flor de sonho vago,
Nuvem de recorte
Quase indefenida...

(mas eu prefiro a outra:
A flor com morte,
A flor que esmago
Para lhe dar sentido.)

Nem uma lágrima nos olhos,
Nem um bater de coração.

Só este silêncio que nos impele
Para o abismo da solidão
Que temos na pele.

"EU" 1981

Eu para aqui
Sem sentir respirar a vida.

Toquei-te...
E de súbito percebi;
- Não eras apenas um enfeite
Com cabelos de nuvem
E o sol a respirar em ti,
Mas o outro lado do problema,
Com a morte por alibi.

Tudo cansa!
Até o brilho cruel do sol de lança
Dos teus olhos nus.

Teus olhos. Hoje dois delicados pratos de balança
Que só pesam a luz.

(e a esperança)

O céu é este jeito de andar
E a terra vôa nos meus olhos...

Aves: o mundo sou eu.

O sol, o ritmo das sementes
A prolongarem a música da vida...

Homens: o mundo sou eu.

A noite, a cinza dos meus passos
Nas nuvens escuras da morte...

Flores: o mundo sou eu.

(concordem, pelo menos,
que a vida e o mundo
são bem pequenos.
Só a morte é bem grande.)

"IMAGEM" 1982

Passei oda a noite a meditar
Nesta coisa complicada
De haver vida
A matar a vida.

Terra, flores, animais, homens,...
Criados para a vida que não imagino...
Mas não para serem belas
E coordeais,
Que não é seu destino.

"ALMA" 1982

Por dentro só lama
E sonho enfermo,
Mas não é por isso
Que ninguem me entende.

É por esta frieza
Que ao mundo em redor
Parece pureza
- e é aenas bolor.

"VOZ" 1982

Que voz é esta
Que vem da pele
E não do coração?

Pois os pássaros não cantam apenas
Na minha imaginação?

Existem em cor e penas
Na realidade desta canção
De mim tão alheia.

Ó passaro autêntico,
Volta a ser ideia...

"AMOR EM FRIO" 1982

Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
Desapareça mais com a tua
- para aqui de mãos dadas
nas noites estreladas
a vermos fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira
Até ao abismo da terunura derradeira.

"DOR" 1982

A esta dor louca
De te querer sempre junto de mim
Chamam os homens: AMOR.

Mas o amor é antes raiva,
Querer arrancar o sol e a lua
E andar com flores na algibeira
E desprendê-las na chuva...

"AMOR EM FLOR" 1982

Vou criar uma flor
Para pôr no teu olhar.

Uma Flor com asas de fogo
Donde, em vez de perfume,
Saiam sons de viola.

E eu possa dizer á terra:
"Sim. Bendita seja o teu ventre entre as mulheres.
Mas basta de malmequeres!"

"ONDE ESTAS? 1982

Quero-te assim, imaginada, bela,
Como se saisses agora da morte
Ainda com um fio de frio
Por passaporte.

Tu, a sonhada sentinela
Com olhos de coração,
Resignada ao destino
Que lhe é dado,
Pela minha solidão.

"ESCREVO" 1982

Escrevo o teu nome
Nas paredes, nas portas, na lua;
Escrevo o teu nome
Nos livros, nas mesas, na escola;
Escrevo o teu nome
N a luz do sol, na noite de verão, nas estrelas;
Escrevo teu nome
Nos teus olhos, nos teus cabelos,
No teu corpo, na tua imagem;
Escrevo o teu nome
Quando olho para ti, quando sinto a tua presença,
Quando penso em ti, quando escrevo para ti.
ESCREVO O TEU NOME...

"TU" 1982

Tu só tu
Eu só eu
Amor só amor
Sim só nós.

"SONHOS" 1982

Desenganos do passado,
Não servíreis ao futuro?
Sempre sonhos eu tive
Sempre sonhos eu perdi
Sempre sonhos, sempre sonhos.

Nesta vida esperar é loucura.
Desiludir: eis meu destino!
Sonhar: eis toda a esperança!

Esperem então.
Desiludindo então eu morro,
Criando mundos ideais,
Com mentidos prazeres,
Curemos minha morte.

Sonhos, sede bem-vindos,
Perdoa-me o pensamento:
Convosco, sim, a aventura
Se goza por um momento.

"PENSAMENTOS LOUCOS" 1980

Talvez fuja, e...
Não volte mais.

Talvez, consiga realizar
O sonho de outrora...

Talvez...
... Desapareça, no meio
Da futilidades complexas...

Talvez...
... Roube uma alma...

Talvez...
... Vá conhecer J.C. ...

Talvez...
... Consiga enlouquecer...

Talvez...
... Consiga a Paz.

Talvez!...


"(...)No fim de contas, aprender é isto:
Não se ganhamos o jogo, mas como o perdemos e como mudamos por causa dele
e o que obtemos dele, que antes não tinhamos, para aplicar noutros jogos. Perder,
de certo modo curioso, é Ganhar."
RICHAR BACH

Eu Existo!
Tu Existes!
E o amor é tudo o que conta!

O oposto da solidão, não é a companhia;
é a intimidade.

O amor é o passaporte para a tragédia.

"TEMPOS DE GLÓRIA" 1980

Recordações...
Não chores,...
Lágrimas, não te confortam.

Dentro de uma visão
Tento destruir o passado
Talvez, se realize outra frustração...
Talvez, ainda a recordação não tenha finalizado...

A estagnação é patente
O sentimento está corrente
A ponte do encontro desapareceu
O amor morreu?

As noites, os dias mentem
Dias, as noites sentem,
A falta do teu quente olhar,
Para que o sonho se possa realizar...

Mas,... tudo não passa de uma ilusão
Da tentativa de evasão...
De uma fuga dos tormentos,
Talvez um acabar com estes momentos!...

Talvez seja doentio este amor,...
Talvez persista a devidao á dor,...
O teu regreço não existerá
E isto, comigo acabará!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Inicio 20.1.09

Este vai ser o inicio de uma longa e perlongada "descarga" de pensamentos e sentimentos, que senti durante muitos anos e que nunca o dei a mostrar a ninguem. Será como uma retrospectiva do ser que sou ou melhor, no que me tornei. Sonhos perdidos, outros realizados e ainda outras coisas que foram e agora já não são.
Amanhã começa ...