quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"ALEGRIA E TRISTEZA" 17.3.1989 P.C.M.C. 24h/8h Após dia na Fig. da Foz

Meu Deus
Obrigado p´lo dia
E como ia
Meu Deus.

Muito me fazes passar
Para depois me dar
Aonde mais quero estar
Para poder continuar a sonhar.

Devido ao que sinto
Só me saem ais
Cada vez mais
Pois amor eu sinto.

Poemas de amor
Tantos eu tenho
Devido ao empenho
Do teu amor.

De tanto procura
P´ra esta união
Poder continuar
Louco estou a ficar.

Em milagres não acreditava
Mas nunca pensava
Ter-te eu acreditava.

Já mais me tirarão
Meu amor outra vez
O amor tem razão
Comigo ficas de vez?

Dantes eu pescava
Agora pescado
Fiquei eu...

Triste eu estou
De férias vais
Contigo não vou
E sem mim vais.

"E.T." 16.3.1989 P.C.M.C. 24h08mn

Bela e singela
Como hôje foste bela
Alma inspiradora
Minha alma criadora...

Hoje vi como és feita de amor
Olhar para ti e perguntar:
"-juntos aqui será melhor?..."

E o amor queima,
como gelo ardente...

É tão dificil
Viver sem ti
Tentei o truque
Só eu perdi.

Querer tocar-te
E não tentar
Querer um beijo
Ficando a pensar.


És como borboleta
Voando á minha volta...

Feliz te quero fazer
Para um dia
Tambem poder ser.

Esperarei por ti
Que passe minha vida
Esperando por ti...
Esperando por ti
Será minha vida.

Do primeiro momento
Adoro-te;
Do primeiro momento
Choro-te.

Maria de amor nasceste
E de amor cresceste
O amor teras
Com amor governaras.

"RAIVA" 14.3.1989 P.C.M.C. 24h/8h

Cada vez mais me vou conhecendo,
Cada vez mais o mundo e a vida me desiludem...

Fui criado
Numa encruzilhada
Na encruzilhada eu nasci
Eu nasci e cresci, crescendo a raiva
Raiva de mim para mim e de toda a vida.

Procurei e fui procurado
Pelo que era
Pelo que dava
Mas chegando o dia
Necessitar de receber e não dar
Fui abandonado e regeitado.

Sou feito de dor
Sou filho perdido
Sou filho da dor
Sou a criação nascido.

De sangue e paixão
Amor e iluzão
Ódio e compaixão
Se produzio este coração.

A jovem que amo
Amo-a sem limites
Sem limites eu faria
Tarefa na qual no fim a teria.

Mas o futuro me diz
Que de nada válho para a ter
Já mais tive alguem
A não ser minha mãe.

Tenho este bicho em mim
De querer ter e ganhar
Depois o mais dificil
Ter que deixar.

Faço teatro, visto mal
Mal escrevo, doido eu sou
Nisto eu estou mal
Mas ssim eu sou.

Muitas mulheres deixei
Sem querer tentar
O que os outros tentam
Sim eu tambem quis
Mas não deixei
O corpo tentar
Onde só meus sonhos entram
Claro que tambem fiz
Mas não o sonho que sempre quis.

Eu quis
Fosse com amor
O amor nunca quis
Que fosse eu o amor.

Amor impossivel
Com futuro
Sem ser terrivel
Amor com furor.

Continua esta sede
Sede de viver e de ter
Tudo o que já tive
Querendo voltar a ter.

Mas...
Continuarei a minha caminhada
Pela estrada não empedrada
Que está muito curvada
Nesta roda aonde está pregada
Ficando pouco a pouco estragada
Estragando esta entrada
Pela vida que me foi dada
No final então retirada
Mas eu continuarei
Da unica maneira que sei
Assim perdido
entre mim...

Assim como o amanhecer
Vou acreditar de novo poder ter
Assim é o começo do novo dia
Em que começa a luta que cria.

Lentamente se levanto o sol
Lentamente a escuridão se perde
Para mais logo voltar de novo
A escuridão aonde se perde.

Tenho estado á tua espera
Á espera só de ti
Como seca terra
Que espera chuva de ti.

Tu dás-me o som
Tu dás-me horizonte
Tu és o sonho
Que vem longe.

Rapariga tenho estado a olhar-te
Tentando descobrir como te amar
Vem para descobrir-mos
Esse momento
Poder sentir o calor
Esse que é o único
O criador cheio de amor
Ficando os dois num só
E só bom sabe ser.

Esquecendo a vida
Aparecendo o sonho
Tornado realidade
Como necessidade
Do próprio sonho
P´ra continuar a vida.

"DIZER" 5.3.1989 Jardim da Manga 19h35mn

Como gostaria de te dizer
Como eu gostaria de estar,
Para só contigo caminhar
Sonhando contigo e te dizer...

Agora p´ra casa vou
P´ra casa eu vou agora;
Agora sem ti eu vou
Sem ti eu vou agora.

"SOL" 16.2.1989 Pink Bar - River Side

"Escrevo-te
p´ra saberes que é
muito agradável
conhecer alguem como tu..."

Os dias que correm
São aqueles dias
Correndo p´la imaginação
Dias de emancipação...

Quero aquilo que corre
Querendo e correndo por ela
Como se espera e descorre
P´lo mais importante sem éla.

Sei que és impossivel
Como tudo o demais
Sei que és inesquecivel
Te uerendo mais.

Chegou o dia da luz
Saido da escuridão
Chegou com sua luz
Mas sem prontidão.

Neste calor
Deste momento
Deste um clamor
Neste arruamento.

Será que sim
Será que não
Neste clarim
De insatisfação.

"ALGO DEIXAS-TE" 22.2.1989 P.C.M.C. 18h30mn

A tarde dos teus lábios ruburiza-me
Afasta-se a escuridão da terra...

Virando-me do aveço com teu riso
A paixão lentamente sai da bruma...

Atravessa-me o teu olhar
Como fogo em madeira...

A tua paixão chegou com o vento
Tua sombra com a penunbra...

Algo deixas-te ao passar:
Um coração ferido a gritar.

"VAZIO" 9.10.1987 I.A.E. Jaime Cortesão - escola

Pensamento vazio
Vazio de nada
Nada que vem
Nadando no vazio
No vazio do pensamento.

Se um dia pensares
Pensando sem dia
Virá o que esperas
Esperando a vida.

"SÓ" 22.10.1987 P.C.M.C. 24h45mn

Nasci só
Só estou;
Neste mundo
De alas sós...

Tantas almas
Á minha volta
Almas sós
Tal como eu
Que estou só...

Só significa sozinho;
Nesta vastidão de espaço
Espaço cósmico tão vasto,
Que passa a ser comico
Não encontrar mais sós.

"DIA" 30.9.1987

Mais um dia
Dia igual a tantos dias
Esse dia que não é dia
Pois já passou esse dia.

Dia que é sempre dia
E não chega esse dia
Diferente do outro dia
Que passa a ser igual ao dia.

Imaginação que não pára
Cresce dia a dia;
Dia a dia me acompanha
Pelos dias da imaginação.

Essa imaginação de paz...
"Acabou a fome,
Acabou a guerra,
Acabou o egoismo."

Essa imaginação que me faz criança,
Que se faz éla própria em criança.

"PARA AQUI" 25.2.1988

Eu que estou para aqui
Sentado e ferido
Sem nunhum sentido
Como tudo que está aqui.

Espero por ti
Mesmo ao pé de ti;
Tu não vens
Nem se quere tens
O isolamento tranquilo
De quereres conquista-lo;
Coração em canção
Mistério com critério
Dilemas em problemas,
História com biografia.

"CORRENDO" 26.9.1988 1h

Sonhos, vida...
Sonhos da vida,
Esta vida que nos corroi
Esta dor que nos doi...

"-Merda acorda!"
Já fiz de tudo um pouco
De tudo um pouco já comi
Já morri e já nasci...

Correndo, correndo...
Percorri caminhos
Caminhando p´la solidão,
Por entre mãos.

Disto tudo que comi...
Da vida e de mim
Dou a mim a vida;
Que morte de mim?

Só sempre só...
Até ao tópe,
Tópe da vida,
Dessa vida sem rock.

Monstros, só monstros...
Monstros do infortúnio,
Desta vida de infortunios
Que acaba infortunio.

Amores, amores destruidos
Esses amores instruidos;
Desta vida morri de amores
E nasci de amores.

Quero-te a ti vida...
Quero-te porque os amo,
Porque vos amo;
Amo-vos porque estão na vida.
Compreensão e desiluzão...
Compreensão de mim para mim,
Cumpre e não cumpre a mim
Desiluzão com a concluzão.

Como me sinto
Não sei
Como vos sinto
Eu sei.

Sinto no ar que corre
Correndo contra o tempo
Todo esse tempo
Que não corre.

Tanto tempo
Que é tão pouco
Estão tão pouco
Desse tempo.

Sendo nada
Nada é,
Sendo é
Esse nada.

"SABADO" 1988

Sábado á tarde...
Quando a ternura desaparece;
Á frente de quem rastejá-mos como um cão.
Esquecem-se as paixões, com o tempo, tudo desaparece e sentimo-nos gelados;
Esmagados na verdade e com o tempo deixa-se de amar.
Quando o coração pára não vale a pena correr, tudo desaparece;
Com o tempo tudo se desvanece.

Existem terras queimadas
O vermelho e o negro se unem;
Vou esconder-me aqui
A ouvir-te cantar e rir
Á sombra da tua mão
Com toda a minha paixão.

Chama em jovem coração nascido;
Pranto por belos olhos aprisionado,
Incêndio em mares de água disfarçado,
Rio de gelo em fogo convertido.

Se és fogo como nãoqueimas?
Se és neve como não arrepias?
Mas, ouve o dia em que andou amor em ti;
Pois para temperar a dor
Como sendo neve em fogo,
Permitiu que aparece-se a chama fria.

"PAZ" 9.6.1988 S. Cruz - café

Paz criadora
Paz provocadora,
Éssa paz
Que é paz.

Tanta calma
Tanta criança
Dessa calma
De ser criança.

Tudo anda
Tudo corre,
Paz que anda
Que descorre.

Quero parar
Para te apanhar,
Fazendo andar
Para criar.

"PERDIDO" 8.5.1988 P.C.M.C. 24h45mn

Tu és pura e imaculada
Cheia de graça e beleza;
Tu és a minha amada,
És a gentil burguesa.

Tu sem maldade
Que tudo mereces,
Porque desconheces
O podre da cidade,
Nessa herdade
Onde foste criada,
A viver desviada
Deste mundo;
És como valor incalculado
Que me foste emprestado.

Se te tenho na mão
Acho pouco,
Sinto desejo louco
Meter-te no coração!...

Tens a grandeza
Dessa beleza:
Parecer bela
Mais do que ela.

Mas foste-me emprestada,
Já te dei de volta
Mais do que paga
P´ra grande mágua de mim.

A rir me cortaram,
Por gozo e vaidade;
Foi a rir que me atiraram
P´ra lama da sociedade.

Com futuro perdido
Há tantos assim...
Caio eu e os outros
Caimos e continuamos a caindo,
Com amizades fingindo
Ser amigos de verdade,
Compraste-me uma amizade
P´lo bem estar de um dia ou dois,
P´ra me atirar depois
P´ra lama da sociedade.

"SOU" 22.2.1988 P.C.M.C.

Não brinco, não paro;
Não rio, não choro;
Coração hóro;
Paixão, dentro...

Brincando bastante
Infinitamente salto,
Quero colher-te
E generosamente salto.

Inrompendo da gravidade,
Impossivel fugir de mim
Brinco co ferocidade,
Ferocidade de mim.

Avisto as esperaças
Distintamente acabadas,
Nestas circunstancias
Vejoas tão turbadas.

Quero fugir parado
Para lugar algum,
Quero coração furado
Sem furo nenhum.

Pareço que pareço;
Faço que faço,
Coisas não, coisas não.

Sou que sou,
Digo que digo
Aquilo não, aquilo não.

Bom não sou
Belo tambem não,
Sou aquilo que sou
Para alguns sim e outros não.

"AMOR" 1987

Temos algo em comum;
Mas quero-te
Para ficarmos com tudo em comum;
A vida.

Já nos conhecemos,
Mas na verdade,
Somos estranhos
Quando juntos estamos.

"O maior erro da humanidade
é fazer do amor uma edeia;
O amor e instinto,
dar-lhe cérebro é entristecêlo."

És silêncio de luz,
que me rasga estes momentos,
Momentos no crepúsculo da noite.

És a água,
Que me mata de sede
Sob o sol destes dias de Verão.

A minha alma
Vagueia, algures
Entre erosão do tempo
E o fogo dos teus lábios.

Isto não é para mim
Nem para ti;
É para todos que acreditam no amor,
Aqui...

Para que palavras
Se basta uma delas
Para tudo ser dito...
AMOR.

"ESPECIAL" 7.10.1987

É assim cá estou
mãos vazias, olhar vazio.

Eu não sou especial,
Sou igual a tantos...

Que o filme, não se projecta nas salas do cinema;
Sem foros em jornais,
Em revistas ou em magazines de moda.

Vagueio perdido,
Na noite, como ave nocturna;
Vagabundo embriagado;
Anjo no Olimpo;
Estrela perdida no Cosmo
Que luta e destroi tudo
Para poder brilhar.

Tropeço, em todas as pedras;
Prostituta cansada, mas que vive
Sonhando acordada,
Na ilha tropical.

Tropeço em todas as pedras;
Bebado que dorme, mas que vive
Vendo dormindo,
Frescos riachos de vinho tinto.

Tropeço...
"Chui" que vive
Brincando na noite
De "chui" americano.

Esta realidade ou filme,
Filme a preto e branco,
Mais preto que branco;
Eu não sou especial.

O meu nome,
escreve-se nas ruas sujas,
onde nos perdemos
na noite mais escura...