quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"EU" 1981

Eu para aqui
Sem sentir respirar a vida.

Toquei-te...
E de súbito percebi;
- Não eras apenas um enfeite
Com cabelos de nuvem
E o sol a respirar em ti,
Mas o outro lado do problema,
Com a morte por alibi.

Tudo cansa!
Até o brilho cruel do sol de lança
Dos teus olhos nus.

Teus olhos. Hoje dois delicados pratos de balança
Que só pesam a luz.

(e a esperança)

O céu é este jeito de andar
E a terra vôa nos meus olhos...

Aves: o mundo sou eu.

O sol, o ritmo das sementes
A prolongarem a música da vida...

Homens: o mundo sou eu.

A noite, a cinza dos meus passos
Nas nuvens escuras da morte...

Flores: o mundo sou eu.

(concordem, pelo menos,
que a vida e o mundo
são bem pequenos.
Só a morte é bem grande.)

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